{"provider_url": "https://www.domsilverio.mg.leg.br", "title": "Hist\u00f3ria da Cidade", "html": "<p>Dom Silv\u00e9rio, cujo nome outrora era Sa\u00fade, surgiu de um breve comunicado, datado de 1761, enviado ao Bispo de Mariana, Dom Frei Manuel da Cruz, pelo padre Jos\u00e9 Ferreira de Souza, respons\u00e1vel pela capela ent\u00e3o existente no mesmo lugar onde hoje est\u00e1 constru\u00edda a sua Matriz. O padre comunicava ao bispo que a capela teria, a partir de ent\u00e3o, o nome de \u201cNossa Senhora da Sa\u00fade\u201d. Era a certid\u00e3o de nascimento e batismo. Era o come\u00e7o da exist\u00eancia de uma povoa\u00e7\u00e3o que, at\u00e9 ent\u00e3o, n\u00e3o existia. Era uma simples capela em torno da qual uma aldeia ia nascendo.</p>\r\n<p>Forma\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio</p>\r\n<p>A hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o do munic\u00edpio de Dom Silv\u00e9rio tem in\u00edcio quando Artur de S\u00e1 e Menezes, ent\u00e3o governador da Prov\u00edncia de Minas Gerais, conhece o sertanista \u2013 coronel de cavalaria e mestre de campo \u2013 Matias Barbosa da Silva, em 1680, enquanto este prestava servi\u00e7os \u00e0 Coroa Portuguesa, participando da luta entre lusitanos e espanh\u00f3is na col\u00f4nia do Sacramento, no sul do pa\u00eds. Convidado a vir \u00e0 prov\u00edncia de Minas Gerais, em 1702, Matias Barbosa fora agraciado pelo governador com uma sesmaria de terras, na regi\u00e3o do rio Paraibuna, abrangendo vastos territ\u00f3rios na regi\u00e3o de Matas do Rio Doce. Sua obriga\u00e7\u00e3o era promover, cultivar as terras, demarc\u00e1-las e livr\u00e1-las dos \u00edndios botocudos e acaiabas (tupis) que infestavam a regi\u00e3o, causando estragos e ocasionando a morte de muitos moradores e, finalmente, fundar um n\u00facleo de povoa\u00e7\u00e3o, o que resultou na funda\u00e7\u00e3o do povoado de Registro, pr\u00f3ximo a Juiz de Fora. Registro, hoje denominado Matias Barbosa, era onde a Coroa Portuguesa cobrava impostos sobre o com\u00e9rcio de ouro e diamantes extra\u00eddos em Minas Gerais. Para lhe proporcionar condi\u00e7\u00f5es de cumprir t\u00e3o importante miss\u00e3o e a fim de promover o assentamento de imigrantes interessados em participar do desenvolvimento da regi\u00e3o, o governador das Minas cedeu a Matias Barbosa, ainda, uma larga extens\u00e3o de terras na zona do Carmo (banhada pelo Ribeir\u00e3o do Carmo, come\u00e7ando pela Vila de N.Sra.do Carmo, antigo nome da cidade de Mariana, at\u00e9 encontrar o Rio Piranga em Pontal e com ele formar o Rio Doce) onde atualmente est\u00e3o localizadas as cidades de Furquim, Barra Longa, Santana do Deserto e Dom Silv\u00e9rio.</p>\r\n<p>Em 1740 Matias Barbosa ergueu uma capela que, embora n\u00e3o haja ind\u00edcios do local exato de sua edifica\u00e7\u00e3o, a tradi\u00e7\u00e3o oral aponta sua localiza\u00e7\u00e3o em uma regi\u00e3o no curso acima do Rio de Peixe, em terras f\u00e9rteis, clima ameno e muita \u00e1gua, que logo ficou conhecida como Circuito \u2013 em fun\u00e7\u00e3o da sua forma\u00e7\u00e3o territorial se apresentar em forma de semi-c\u00edrculos contornados pelas montanhas. Sendo assim, a constru\u00e7\u00e3o da capela, como era de costume, oficializou o in\u00edcio do povoado e Circuito foi o primeiro nome dado \u00e0 regi\u00e3o onde atualmente se encontra a cidade de Dom Silv\u00e9rio.</p>\r\n<p>Em 25 de julho de 1742 morre Matias Barbosa, deixando seu patrim\u00f4nio para a sua esposa, D. Luiza de Souza Oliveira e sua \u00fanica filha, Maria Barbosa da Silva. Elas logo se desfizeram dos bens herdados. Dona Luiza casou-se novamente com o advogado que cuidava da heran\u00e7a, Dr Manuel Ribeiro de Carvalho, que, com o falecimento da esposa, vendeu todo o patrim\u00f4nio deixado por ela, sendo posteriormente promovido a Plesbiterato. Em 28 de dezembro de 1759 foi ordenado padre em Mariana, deixando a regi\u00e3o e nunca mais retornando.</p>\r\n<p>Em 1755, Padre Domingos de Ara\u00fajo, procedente da freguesia de Nossa Senhora do Ros\u00e1rio de Paulo Moreira (Alvin\u00f3polis) se transfere para o lugarejo de Circuito, juntamente com cerca de 400 escravos. A regi\u00e3o passou ent\u00e3o a se chamar Fazenda Circuito. No decorrer dos anos, por influ\u00eancia popular, a domina\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o foi se alterando, passando a se chamar Ciriquito, corruptela do nome Circuito.</p>\r\n<p>Assegura a tradi\u00e7\u00e3o oral ter existido naquela \u00e9poca (1755), na regi\u00e3o, uma tribo de \u00edndios, contra os quais o padre Domingos de Ara\u00fajo teria usado de for\u00e7a para submet\u00ea-los e escraviz\u00e1-los, aumentando a m\u00e3o-de-obra da regi\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 registro de qual tenha sido a tribo de \u00edndios a que o relato se refere.</p>\r\n<p>Pouco tempo depois uma epidemia desconhecida assola a Fazenda Circuito, provocando a morte de muitos escravos e colonos. Padre Domingos faz ent\u00e3o uma promessa a Nossa Senhora da Sa\u00fade, prometendo que, caso a epidemia fosse contida, ergueria uma capela em sua homenagem. Alcan\u00e7ada a gra\u00e7a ele vai ao Rio de Janeiro, trazendo atrav\u00e9s de seus escravos a imagem da Virgem Nossa Senhora da Sa\u00fade, que iria ser abrigada na capela.</p>\r\n<p>A nova capela foi constru\u00edda onde hoje encontra-se a Igreja Matriz de Dom Silv\u00e9rio e, em 16/10/1761, o padre Jos\u00e9 Ferreira de Souza, respons\u00e1vel pela mesma, informava em um breve comunicado ao Bispo de Mariana que esta passaria a se chamar Nossa Senhora da Sa\u00fade. Pelo alvar\u00e1 de 20 de dezembro de 1820, atrav\u00e9s do munic\u00edpio de Mariana, o povoado foi consolidado, recebendo o nome de Nossa Senhora da Sa\u00fade. Vinte e um anos mais tarde, em 07 de agosto de 1841, a par\u00f3quia foi criada atrav\u00e9s da lei n\u00ba 211. Em 01 de dezembro de 1873, pela lei Provincial n\u00ba 2.341, o povoado foi elevado \u00e0 categoria de Distrito com o nome de Sa\u00fade.</p>\r\n<p>Em 20 de fevereiro de 1887 uma esta\u00e7\u00e3o da estrada de ferro Leopoldina foi inaugurada, conectando o distrito de Sa\u00fade ao Rio de Janeiro, o que deu maior agilidade ao transporte de mercadorias. A estrada abrangia 599 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia entre as duas cidades, percorridos em 24 horas, o que resultou em um grande progresso comercial para a regi\u00e3o, al\u00e9m do grande interc\u00e2mbio cultural com outras regi\u00f5es. Anteriormente o transporte de mercadorias era realizado por meio de tropeiros em lombos de burros, que carregavam no m\u00e1ximo 60 quilos em um dia. Com a implanta\u00e7\u00e3o da estrada de ferro, Sa\u00fade adquiriu enorme prest\u00edgio por estar situada ao final da linha, sendo respons\u00e1vel pelo carregamento e abastecimento de produtos para as localidades vizinhas.</p>\r\n<p>Data, tamb\u00e9m, de 1887 a chegada do primeiro professor de ensino secund\u00e1rio do distrito de Sa\u00fade. Seu nome era Ponc\u00edlio Jos\u00e9 da Natividade e era ele quem preparava os jovens para entrarem para o Col\u00e9gio do Cara\u00e7a, semin\u00e1rio de Mariana e escolas de medicina, direito, farm\u00e1cia e engenharia. A primeira professora de ensino prim\u00e1rio foi Tereza Gon\u00e7alves Carneiro, que chegou em Sa\u00fade em 1890.</p>\r\n<p>A cria\u00e7\u00e3o do distrito de Sa\u00fade foi confirmada pela Lei Estadual N\u00ba 02 de 14 de setembro de 1891, (objeto de Lei N\u00ba 2.941 de 01 de dezembro de 1873) e em 07 de setembro de 1927, pela Lei N\u00ba 843, Sa\u00fade passa a estar sob a jurisdi\u00e7\u00e3o de Alvin\u00f3polis.</p>\r\n<p>O desenvolvimento econ\u00f4mico e social do distrito de Sa\u00fade ganhou forte impulso com a instala\u00e7\u00e3o, em 1925, da Companhia For\u00e7a e Luz Saudense.</p>\r\n<p>Constru\u00edda na entrada da cidade \u00e0 margem da cachoeira do Rio de Peixe, a usina hidrel\u00e9trica de pequeno porte passa, a partir de ent\u00e3o, a fornecer luz e for\u00e7a \u00e0 popula\u00e7\u00e3o de Sa\u00fade. A ilumina\u00e7\u00e3o residencial, feita por lamparinas, lampi\u00f5es de querosene e candeeiros, foi, aos poucos, sendo substitu\u00edda pela luz el\u00e9trica. Conta a tradi\u00e7\u00e3o oral local que, al\u00e9m de ter gerado empregos, a Usina servia como ponto de refer\u00eancia e encontro para a popula\u00e7\u00e3o, que gostava de passear pelo canal nos fins de semana.</p>\r\n<p>Finalmente, em 17 de dezembro de 1938, atrav\u00e9s do Decreto Estadual n\u00ba 148, o Distrito foi desmembrado de Alvin\u00f3polis e elevado a munic\u00edpio, sendo determinado que Sa\u00fade passaria a se chamar Dom Silv\u00e9rio, em homenagem ao membro da Academia Brasileira de Letras e primeiro Arcebispo de Mariana e do Brasil, Dom Silv\u00e9rio Gomes Pimenta. O primeiro prefeito foi Ant\u00f4nio Nunes Pinheiro, que administrou a cidade de 1939 a 1943.</p>\r\n<p>O munic\u00edpio ficou constitu\u00eddo primeiramente pelo distrito sede e o de Sem Peixe, al\u00e9m de v\u00e1rios povoados. Em dezembro de 1995 o distrito de Sem Peixe emancipou-se, transformando-se em munic\u00edpio.</p>\r\n<p>O distrito sede de Dom Silv\u00e9rio \u00e9 dividido em 5 bairros: Santa Rita, S\u00e3o Geraldo, Centro, Pontilh\u00e3o e Campestre. Possui dois povoados rurais, que s\u00e3o Melos e S\u00e3o Tom\u00e9 (maiores). E v\u00e1rias comunidades rurais (menores): Biquinha, Olho D\u2019\u00e1gua, Barcelos, Quilombo, Mingau, Quint\u00e3o, Sesmaria, Bastos, Rio de Peixe, Funil, S\u00e3o Louren\u00e7o, Duarte, Vitorino, Campanha, Pereira e Matip\u00f3. Pela Lei Estadual 1039 de 12/12/1953, Dom Silv\u00e9rio passou \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o da comarca de Alvin\u00f3polis, \u00e0 qual pertence at\u00e9 hoje.</p>\r\n<p>Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a popula\u00e7\u00e3o estimada de Dom Silv\u00e9rio, ano base 2010, \u00e9 de 5.196 habitantes (2.493 Homens e 2.703 Mulheres); a \u00e1rea da unidade territorial \u00e9 de 194,972 Km\u00b2; a densidade demogr\u00e1fica \u00e9 de 26,65 (hab/km\u00b2). O c\u00f3digo do Munic\u00edpio \u00e9 312270. Gent\u00edlico: silveriense. Ainda segundo o CNEFE \u2013 Cadastro Nacional de Endere\u00e7os para Fins Estat\u00edsticos, Dom Silv\u00e9rio possui 1.862 endere\u00e7os urbanos e 630 rurais. A Popula\u00e7\u00e3o residente alfabetizada \u00e9 de 4.458 pessoas; cor ou ra\u00e7a Branca 2.266 pessoas, Preta 687 pessoas e Parda 2.219 pessoas.</p>\r\n<p>Caracteriza\u00e7\u00e3o do Munic\u00edpio</p>\r\n<p>A cidade de Dom Silv\u00e9rio \u00e9 integrante da Micro Regi\u00e3o do Vale do Piranga e situa-se na Zona da Mata de Minas Gerais (sudeste mineiro) em uma regi\u00e3o montanhosa, a 185 km de Belo Horizonte, possuindo uma \u00e1rea de 195 Km2, e fazendo fronteiras com Barra Longa, Alvin\u00f3polis, S\u00e3o Domingos do Prata, Rio Doce e Sem Peixe.</p>\r\n<p>A sede municipal, situada a 492 m de altitude, tem como coordenadas geogr\u00e1ficas 20\u00ba 09\u2032 00\u201d de latitude sul e 42\u00ba 58\u2032 15\u201d de Longitude W.Gr. A temperatura m\u00e9dia anual da regi\u00e3o \u00e9 de \u00e9 de 21\u00ba C. A m\u00e9dia do m\u00eas mais frio \u00e9 inferior a 16\u00ba C e a m\u00e9dia do m\u00eas mais quente \u00e9 de 28\u00ba C.</p>\r\n<p>Na rede hidrogr\u00e1fica do Munic\u00edpio, parte constituinte da Bacia do Rio Doce, destacam-se o Rio Doce e o Rio Sem Peixe, localizado ao norte do munic\u00edpio, que tem entre seus afluentes o Ribeir\u00e3o S\u00e3o Tom\u00e9 e os c\u00f3rregos Cedro, Porcos e Almas que seguem para o munic\u00edpio de Sem Peixe. Na margem direita do Rio Sem Peixe, a mais ou menos 800 metros, encontra-se a Lagoa do Segredo.</p>\r\n<p>O c\u00f3rrego \u201cCampanha\u201d, afluente do Rio Peixe, \u00e9 utilizado na capta\u00e7\u00e3o \u00e1gua para a regi\u00e3o, e seus afluentes s\u00e3o os seguintes c\u00f3rregos: Jequitib\u00e1, Caf\u00e9, Duarte, Tanque, Boc\u00e1ina, Melos, Jacarand\u00e1, Matip\u00f3. Existem ainda 4 quedas d\u2019\u00e1gua no munic\u00edpio Uma delas \u00e9 explorada hidreletricamente: a Cachoeira do Funil, que movimenta uma usina de propriedade particular e uma f\u00e1brica de tecidos localizadas em Alvin\u00f3polis (cidade vizinha).</p>\r\n<p>O relevo do Munic\u00edpio \u00e9 caracterizado por declividades m\u00e9dias (superiores a 35%) e fortes (superiores a 45%)e sua altitude m\u00e1xima \u00e9 de 1152 metros (localizada no Jambreiro), e a m\u00ednima de 239 metros (localizada na Foz do Ribeir\u00e3o Santa Rita).</p>\r\n<p>O territ\u00f3rio municipal \u00e9 cortado por 67 Km de estradas de rodagem, das quais 38 est\u00e3o sob a domina\u00e7\u00e3o estadual, e 29 sob municipal e a cidade possui ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica e domiciliar, servi\u00e7o de telefonia, \u00e1gua pot\u00e1vel encanada, e esgoto.</p>\r\n<p>Dados Gerais \u2013 Resumo</p>\r\n<p>MESOREGI\u00c3O: Zona da Mata \u2013 Sudeste Mineiro</p>\r\n<p>Microrregi\u00e3o: Vale do Piranga \u2013 Ponte Nova</p>\r\n<p>Munic\u00edpio: Dom Silv\u00e9rio</p>\r\n<p>CEP: 35440-000</p>\r\n<p>Funda\u00e7\u00e3o: 1.755</p>\r\n<p>Emancipa\u00e7\u00e3o: 17/12/1938</p>\r\n<p>\u00c1rea total: 195 Km\u00b2</p>\r\n<p>Bibliografia</p>\r\n<p>A Hist\u00f3ria de Dom Silv\u00e9rio por Aloysio Penna Martins</p>\r\n<p>Arquivos da Prefeitura Municipal de Dom Silv\u00e9rio-Secretaria de Cultura e Turismo</p>\r\n<p>Hist\u00f3ria Real de Dom Silv\u00e9rio por Jos\u00e9 Cotta Morais</p>\r\n<p>ARO-Plano de Invent\u00e1rio de Dom Silv\u00e9rio</p>\r\n<p>Arquivo P\u00fablico Mineiro / IBGE</p>", "author_name": "Interlegis", "version": "1.0", "author_url": "https://www.domsilverio.mg.leg.br/author/Interlegis", "provider_name": "C\u00e2mara Municipal de Dom Silv\u00e9rio-MG", "type": "rich"}